um momento específico
Monster de abacaxi, o filme da Charli XCX e pistas customizadas de Mario Kart
e digo mais: é completamente normal um ser humano precisar de Monster para funcionar. essa necessidade tem algo a ver com a estonteante ansiedade minha de todo dia e a sensação constante de que tudo vai explodir? é bem possível que sim — e inclusive provável — mas, infelizmente, sem um leve drink gelado pela manhã, eu não sou ninguém.
houve momentos em que, ao raiar do sol de um novo sabor de energético, eu imediatamente soltava tudo em minhas mãos e escrevia um texto de duas mil palavras sobre tal novo sabor de energético. hoje em dia, as coisas são diferentes; o que eu teria para falar sobre o novíssimo Red Bull de maçã que já não foi dito em anteriores análises de Red Bull de pomelo, Red Bull de melão e Red Bull de pêssego?
talvez o azul Red Bull de blueberry e baunilha, combinação insana que de alguma forma funciona, pudesse trazer algumas observações interessantes em um jornalismo long-form, mas eu não quero pensar mais nele; é um sabor que me assusta e eu ando evitando tudo que me assusta. blueberry? tudo bem. tudo ótimo. incrível. agora adicionar baunilha? é tipo tomar um suco de banana. olá. bem-vindo ao meu bar. estarei servindo caipirinha de jaca
mas agora tem um novo Monster, e o novo Monster tem sabor de Valentino Rossi. admito: meu conhecimento sobre Moto GP é limitadíssimo, a ponto das palavras Valentino Rossi serem as únicas que eu tenho certeza que fazem parte do vocabulário da categoria. aparentemente, Valentino Rossi tem o apelido de The Doctor; fico feliz por ele. eu admito que já havia avistado esse sabor de energético em lojas de importados, lojas onde eu normalmente entro e alguma atendente sempre me tenta vender algum produto de k-pop; talvez eu aparente fazer parte de um estereótipo do qual eu não faço parte, mas não tem muito o que fazer sobre isso.
a questão é que eu nunca tive qualquer interesse em provar esse sabor de Monster na época em que uma lata custava trinta reais — e, francamente, imagino ser porque a lata é muito feia. um tom de amarelo básico demais e uma logomarca do anteriormente mencionado The Doctor que parece a tela de título de Super Mario 64. agora que ele custa dez reais em seu supermercado mais próximo, porém, eu me sinto mais preparada para o consumo.
infelizmente, o Monster do Valentino Rossi tem gosto de abacaxi gaseificado — e eu odeio abacaxi gaseificado. talvez seria melhor um Monster de blueberry e baunilha
o momento de charli xcx
você sabia? Charli XCX é o momento. ou ao menos ela foi o momento em algum outro momento: hoje em dia, devido ao ciclo acelerado de hype e as constantes mudanças no que é cool e o zeitgeist que não para de evoluir (ou em alguns casos, involuir), nada dura muito. e vai acontecer com você; um dia você será a pessoa mais legal do mundo, e 24 horas depois, todo mundo vai cansar de você. a Rachel Sennott fez uma série levemente chatinha e ninguém mais gosta dela. Rachel Sennott está em The Moment, junto com participações especiais de Kylie Jenner, Anthony Fantano e um ou dois frames de A. G. Cook. mesmo procurando, eu não encontrei The Dare. às vezes você fica menos tempo no topo
insanamente, The Moment, o mockumentary de Charli XCX sobre uma turnê que nunca aconteceu, esteve disponível por quatro dias nos cinemas de Criciúma; havia quatro outras pessoas na sessão de sábado a noite e duas delas foram embora antes da metade da película. a sala 6 do GNC Cinemas do Nações Shopping, previamente habitada pel’O Momento, agora exibe sessões legendadas de A Empregada, estrelando as loiras Amanda Seyfried e Sydney Sweeney — e possivelmente o fará até o fim dos tempos, pois nada nunca muda.
é que esse tipo de filme surgindo do nada em Criciúma sempre me assusta. lembro do choque quando Pobres Criaturas passou nesse mesmo cinema há uns anos; sempre é inesperado porque é mais fácil termos três meses de sessões de Zootopia 2 do que um dia sequer de relançamento de Mulholland Drive — e faz tanto tempo que houve esse relançamento e eu continuo amargurada com o fato de não ter assistido Naomi Watts e suas palmeiras em uma tela enorme. se você mora em uma cidade grande e consegue assistir o filme que quiser no cinema que quiser, saiba que a culpa é sua. eu sei que não é, mas em momentos de frustração, eu preciso culpar alguém.
enfim. The Moment. o filme de Charli XCX. um enterro da era Brat; eu já parei de contar quantas vezes essa mulher enterrou a era Brat. uma situação levemente Um Morto Muito Louco, carregando um cadáver pintado de verde com a ajuda de Dasha Nekrasova. sendo extremamente sincera, não é um filme ruim. quer dizer, ele é meio ruim, mas é mais fascinante do que qualquer coisa. é muito curioso The Moment existir. eu gostaria mais do filme, porém, se houvessem mais mentiras. as melhores partes do filme são as que não aconteceram de verdade. tal qual um filme de verdade
minha opinião é que eu dei duas estrelas para The Moment no Letterboxd — e também um coração. meus sentimentos são conflitantes e eu não sei o que fazer com eles
um breve detour para avisar que semana passada teve eu destruirei vocês sobre o novíssimo e icônico box set dos Beach Boys, We Gotta Groove, focado na era Brian’s back — meio que o ápice da banda. assine imediatamente para ler mais de duas mil palavras insanas sobre músicas insanas. obrigada e eu te amo
pistas customizadas de Mario Kart
ao longo dos últimos meses, eu desenvolvi um fascínio quase doentio por tudo que envolve a franquia Mario Kart — e por isso, eu peço desculpas. é que existe alguma coisa sobre Mario Kart; nenhum outro jogo de corrida com itens consegue sequer chegar perto da beleza de um gorila dirigindo uma motinho em uma cidade de cogumelos. acredite: não existe um game de kart do Sonic que eu não tenha jogado, e o máximo de diversão que isso me trouxe foi quando eu fechei o jogo e fui vender as cartinhas do Big the Cat na Steam para ter dinheiro suficiente para a aquisição de Wilmot’s Warehouse. claro, eles não são ruins, mas nunca são Mario Kart. não tem um Dry Bones sequer, mas tem um vilão de Sonic Lost World que ninguém nunca ouviu falar. talvez se tal vilão de Sonic Lost World estivesse pilotando em uma cidade de cogumelo, as coisas seriam melhores
e esse é o verdadeiro problema dos jogos de corrida do Sonic; as pistas. em Mario Kart, você nem sequer percebe o quão bem planejados e desenhados os trajetos são. é muito raro você jogar uma pista pela primeira vez e não saber para onde está indo — exceto naquelas de Mario Kart Tour que se passam em metrópoles, mas é normal se perder em Tóquio. em outros jogos de kart, porém? boa sorte. a Nintendo, por mais equivocada que seja, sempre sabe o que faz. os fãs, um pouco menos
faz quase seis meses que eu possuo um ritual pré-sono; eu ligo o meu Nintendo 3DS e jogo uma ou duas cups de CTGP-7, um maravilhoso mod de Mario Kart 7 que adiciona uma quantidade absurda de personagens e fases novas a um game que já possuía como motorista uma abelha-rainha de quinze metros de altura. e eu tenho o total direito de chamá-lo de maravilhoso; quando eu posso dirigir um veículo ridículo como Vivian, a travesti de Paper Mario: The Thousand Year-Door, em uma pista de Diddy Kong Racing, eu não preciso de mais nada.
mas o que mais interessa em tudo isso são as pistas originais. pistas inspiradas no universo Mario, mas não necessariamente inspiradas em um jogo específico. pensemos em Coral Cape: uma volta dura em média trinta segundos, não tem muita coisa acontecendo ao seu redor e tudo é lindo. esse é o mundo em que eu gostaria de viver
infelizmente, o mundo em que eu gostaria de viver não existe de verdade. é raríssimo encontrar uma fase com um design bem produzido, sem firulas, um pano enxugado. oi. boa tarde. por que a sua pista inspirada na franquia Mario & Luigi dura cinco minutos? uma pista perfeita de Mario Kart, assim como uma música pop perfeita, não deve durar mais de dois minutos e meio. a partir da segunda volta você já entendeu como tudo funciona, a partir da terceira volta você começa a imaginar como seria atravessar as paredes da fase e correr livremente por um campo aberto.
fora um defeito recorrente nestas fases; curvas que parecem erradas. é constante o sentimento de que o caminho correto é pela esquerda, mas na verdade é pela direita — e por que isso acontece? é simples: porque você está acostumada com as pistas verdadeiras de Mario Kart, que são desenhadas de modos muito específicos, seguindo guidelines muito estritas, e quando algo foge disso, você enlouquece.
nada que vai me fazer parar de jogar CTGP-7, porém. vocês sabiam que dá pra jogar como a sacola de compras da eShop de 3DS? aposto que isso não haviam lhe contado.






