eu destruirei a copa do mundo #1
goleiros virais, Áustria x Jordânia e 16 avos
não sei se você ficou sabendo, mas neste exato momento, está acontecendo aquele que é o torneio de futebol mais importante de todo o mundo — a segunda divisão do campeonato catarinense. grande campanha do Caravaggio Futebol Clube. concomitantemente, no mesmo lado do globo terrestre mas um pouquinho mais para cima, surgiu como uma aparição mariana a notícia de que a Copa do Mundo FIFA, torneio que reúne as quarenta e sete melhores seleções do planeta Terra mais a Tunísia, está não apenas ocorrendo como também — veja só — a bola está rolando. estranho. parece que faz uns quatro anos que aconteceu a última edição
ao menos dessa vez, a Copa do Mundo está acontecendo em um país verdadeiramente apaixonado por futebol — e também no Canadá e nos Estados Unidos. sejamos sinceros: essa é uma Copa do Mundo nos Estados Unidos com outros dois países em situação de coadjuvantes. México e Canadá seriam mencionados na abertura do evento como participação especial, uma situação Lima Duarte em O Outro Lado do Paraíso enquanto Bianca Bin é a nação mais poderosa do mundo — pelo menos por enquanto
os dois países não-estadunidenses estão em uma situação patética: ao mesmo tempo em que são anfitriãs, estão jogando as partidas mais importantes do torneio fora de seus países. é uma beleza que apenas a Fédération Internationale de Football Association poderia proporcionar. afinal, nenhuma organização não-governamental consegue ser mais safada do que a detentora dos direitos do conceito de futebol
e é nesse contexto que chega ele, o escrete canarinho, a única seleção pentacampeã do mundo e tudo mais. os samba boys, se você for uma página gringa sobre futebol recheada de clichês. eu não saberia te dizer com uma precisão objetiva se o Brasil realmente tem chances de ser campeão do mundo esse ano porque, em toda Copa, eu me sinto possuída por um sentimento que pode ser descrito apenas como loucura pachequista — uma súbita condição mental que te faz jogar fora tudo que é sensato e razoável e acreditar, por qualquer via possível, que o hexa virá. qualquer estatística insana pode se tornar um sinal divino de que esse ano é nosso, que não tem pra ninguém, que é impossível uma França obviamente melhor nos vencer. e eu acho isso lindo. qualquer coisa é um sinal se você é louca o suficiente
24 anos desde a última conquista, assim como estávamos 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo em 1994 — torneio esse que foi realizado, sim, nos Estados Unidos. uma seleção desacreditada, que ninguém acreditava conseguir trazer um título, assim como em 1994 e 2002. é impossível de ignorar, a não ser que você decida ignorar. e com a lesão de Raphinha, as esperanças tomaram conta do povo brasileiro: é fácil imaginar Endrick, Vinícius Jr. e Rayan trazendo para a nossa nação a tão aguardada sexta estrela. ao meu ver, são poucas as seleções que vem jogando melhor do que a gente, principalmente depois daquele terrível primeiro tempo contra Marrocos.
a Espanha precisou de uma falha monumental do Muslera para vencer o pior Uruguai da história, Portugal joga apenas com o intuito de fazer com que Cristiano Ronaldo chegue aos mil gols e a Argentina, sinceramente, estaria passando sufoco sem a existência de Messi. apenas dois gols na Jordânia sem Lionel em campo, que precisou entrar e fazer um gol de falta nos últimos minutos — gol esse em que o goleiro adversário simplesmente ficou parado. eu tenho mais medo da Colômbia do que da Argentina, mas eu sou muito boa em ter medo. da França eu tenho medo com uma facilidade absurda
e a autointitulada maior Copa do Mundo de todos os tempos parece realmente ser isso mesmo. essa fase de grupos teve uma quantidade tão absurda de partidas que eu senti o meu cérebro lentamente fritando ao longo das últimas duas semanas. assistindo Áustria x Jordânia em uma transmissão de madrugada com Ney Franco de comentarista, trajando um lindo pijama da CazéTV — camisetas da emissora disponíveis em algum site que eu não lembro qual é.
Canadá x Bósnia no segundo dia de torneio em uma partida horrorosa, afinal, o que mais poderia ser Canadá x Bósnia? a simples presença do Uzbequistão na competição me enche de uma tristeza difícil de descrever. algum tipo de melancolia que poderia ser suplantada pela presença de uma seleção novata mais carismática, como Suriname ou Madagascar, ou um velho conhecido das Copas que não disputa há tempos, como Jamaica ou Coreia do Norte. ao menos Cabo Verde e Curaçao estavam lá, com seus goleiros virais. e de algum modo, Cabo Verde continua. pelo menos até sexta-feira
comentaristas de emissoras que detêm os direitos de transmissão digital do torneio vêm informando os seus súditos / telespectadores que essa, até o momento, é a Copa dos Protagonistas — um conceito que muito me diverte, considerando que toda Copa do Mundo é a Copa dos Protagonistas, já que sempre existem protagonistas em toda Copa do Mundo. claro, é a (provável) última Copa do Mundo de Messi, Cristiano Ronaldo e companhia, e Mbappé + Dembelé continuam farmando gols contra equipes do nível de Iraque e Noruega reserva, mas até aí isso não surpreende ninguém. surpreenderia se eles estivessem jogando mal. por isso as campanhas de Bélgica, Inglaterra e Espanha me alegram tanto. empatar contra Irã, Gana e Cabo Verde não é para qualquer um. talvez seja a falta de protagonistas
e agora, em uma inédita fase de 16 avos, a Copa do Mundo começa a afunilar — temos agora, oficialmente, trinta e duas seleções na disputa, o mesmo número de equipes de uma Copa do Mundo normal. se era o que precisávamos para nos livrarmos de El Loco Bielsa e o terrível selecionado turco, tudo ótimo; agora podemos assistir um divertido Costa do Marfim x Noruega sem nos preocupamos com a iminência de uma terrorista partida entre Escócia x Haiti.
há vários jogos com um bom potencial para entretenimento nessa fase da Copa — um Holanda x Marrocos logo de cara é uma benção depois do que precisamos aturar nos últimos quinze dias. Portugal x Croácia tem tudo para ser um atentado ao futebol, mas pelo menos Cristiano Ronaldo e Modrić, caquéticos como só, estarão lá. e o melhor? um deles vai para casa mais cedo. ou, dependendo da sua visão, exatamente na hora certa.
meu palpite para Brasil x Japão? uma das equipes será eliminadas
e enquanto isso, continua rolando a deliciosa Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino Profissional — belíssimo torneio. peço perdão pelo momento jardel contra o marília, mas falemos do Criciúma Esporte Clube. tendo retornado para casa no sábado, após assistir Criciúma 1-0 São Bernardo com gol de pênalti de Rómulo Otero, me peguei pensando em como é complicado voltar a assistir uma partida desse nível depois de estar acostumado com shows de Vinícius Jr. e hat-tricks de Messi.
e eu nem estou falando apenas dos jogadores em campo; talvez a maior discrepância de nível entre as duas taças seja a arbitragem. é absurda a quantidade de faltas de ataque marcadas no futebol brasileiro, e isso nunca para de acontecer. é todo dia e o dia todo. se um jogador do seu time estiver no campo de ataque e um zagueiro tropeçar sozinho, pode ter certeza que será marcada uma falta de ataque. para o árbitro brasileiro, a pior coisa que pode acontecer é um gol.
ao menos, até o momento, o Criciúma está fazendo uma boa campanha. nível de G6, porque agora não existe mais G4, Diego Gonçalves praticamente não entra mais em campo e a iminente volta de Yannick Bolasie à equipe, juntamente com a já anunciada contratação do volante Ronald, me faz acreditar que uma Série A é possível ano que vem.
me pergunte no final do ano.











Precisamos de mais ira na copa, também. A saída de Canobbio impactará seriamente os níveis de ira, que é um dos elementos basais do futebol