eu destruirei vocês

eu destruirei vocês

eu ♥ ser normal

a edição #0003 d'a coluna de música

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isabela thomé
Feb 11, 2026
∙ Paid
oiê! essa é a primeira edição d’a coluna de música de 2026. talvez você lembre dela sendo uma publicação semanal no ano passado, e é verdade; suas memórias não são falsas e tudo que você já viveu de fato aconteceu. mas a partir deste ano, ela será uma coluna mensal na eu destruirei vocês. toda caixa de entrada de e-mail é sagrada, e eu não pretendo lhe atazanar toda segunda-feira com uma lista de discos que você possivelmente não tem interesse. eu prefiro fazer isso só uma vez por mês
e lembrando sempre que a coluna de música é uma publicação exclusiva para assinantes! caso você goste muito da eu destruirei vocês e queira todo o conteúdo do mundo, considere assinar por dez reais mensais. você recebe todas as edições gratuitas mais os textos insanos que eu julgo não serem normais o bastante para um público geral. você não consegue ver, mas eu estou usando neste exato momento uma camiseta com os dizeres “eu ♥ ser normal”
fique agora com os discos de janeiro de 2026 que, de algum modo, me marcaram. positivamente ou negativamente.

Tyler Ballgame — For the First Time, Again

pop rock

eu gostaria de deixar uma coisa bem clara; eu não descobri esse disco na Stereogum. grande site para uma indie semi-velha como eu, parece que eles nunca deixaram 2015 para trás, perfeito; mas eu não descobri esse disco na Stereogum. e sinceramente, eu nem sei se For the First Time, Again foi mencionado em algum momento desses últimos trinta dias na Stereogum. mas se não foi, eles estão errados. eles não estão tão infiltrados na cultura como eu imaginava, e talvez seja a hora de pendurar as chuteiras. se eles falaram em algum momento sobre For the First Time, Again, porém, os parabenizo. eles sabem quem eles são e eles conhecem o seu público. não pretendo descobrir a verdade. é importante manter alguns mistérios na vida

o mero nome Tyler Ballgame já parece um estereótipo, um ideal de artista que seria constantemente elogiado por Ian Cohen e Steven Hyden em suas respectivas contas de Twitter, mas eu prometo que esse álbum é especial; parece que eu estou escutando um disco solo do Paul McCartney com a produção suja dos primeiros discos do John Lennon, e eu poderia tentar traçar algum paralelo com George Harrison e Ringo Starr, mas tenho oftalmologista marcado pra mais tarde. sem tempo agora. Tyler Ballgame talvez se torne uma estrela. ele tem o potencial. deixa eu tentar pensar com quem ele se parece musicalmente… conhece MJ Lenderman? claro que conhece. você leu sobre ele na Stereogum

destaques: for the first time again, down so bad, waiting so long

Chuu — XO, My Cyberlove

k-pop

sendo uma pessoa cujo conhecimento acerca de k-pop vem quase inteiramente de tweets repostados por duas ou três pessoas da minha timeline, eu meio que sei mais ou menos quem é Chuu. lá vai: ela era do Loona. não tenho mais nenhuma informação no momento. o que eu sei, porém, é que o primeiro álbum de Chuu estava sendo antecipado há tempos, por motivos que eu não poderia entender sendo uma outsider ao universo do pop coreano. sendo bem sincera, eu achei por muito tempo que ela era apenas um meme — ou seja, que não era realmente amada pelas pessoas. na minha visão, era tudo irônico. nada era genuíno. vocês podiam ter conversado comigo antes

XO, My Cyberlove, primeira faixa de XO, My Cyberlove, é uma delícia. posso chamá-la de vibrante? eles me deixam fazer isso? esse refrão me cativou e eu não sou mais a mesma pessoa. o que se sucede nas oito faixas seguintes, porém, é um completo absurdo. pense em um clichê do k-pop; ele está presente aqui. pense em outros; você não vai acreditar no que tem na próxima música. baladas melodramáticas com uma produção quasi-Imagine Dragons, versos tenebrosos em inglês para tentar conquistar um mercado americano há tempos já conquistado, o pós-refrão de Limoncello é literalmente um la, la, la. se eu decidisse escrever uma tracklist-paródia de um álbum de k-pop, eu pensaria no título Teeny Tiny Heart, mas aqui é real. XO, My Cyberlove é tudo de ruim que existe. exceto a faixa-título. essa é boa

destaques: xo, my cyberlove

Joyce Manor — I Used to Go to This Bar

pop punk, power pop

talvez eu precise aceitar que eu sou velha. talvez eu precise pensar que nem tudo é feito pra mim. talvez eu precise parar um pouco, sentar em uma mesa que não faz mais sentido e fingir que não tem nada acontecendo. desperdiçar os primeiros anos da vida adulta, se obrigar a correr atrás de tudo que estava fugindo, tentar descobrir se era isso que eu era queria de verdade ou se o que eu queria não existia.

sabe no que eu penso? pelo menos de vez em quando. eu passei 2016 inteiro escutando rock triste para jovens e eu não me identificava em nada com as letras. eu não havia vivido nada do que estava sendo discutido naquelas músicas. nenhuma droga com nenhum amigo, nenhuma viagem longa de ônibus para visitar nenhuma webnamorada, nenhuma festa meio merda e nenhuma jaqueta ridícula. e hoje em dia, vivendo tudo isso, é como se eu estivesse em um limbo temporal. eu escutei tanto The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die que é como se eu já tivesse vivido toda experiência que eu nunca tinha vivido. tudo de horrível que me acontece me remete a uma canção emo diferente que eu estava escutando há dez anos. alguém lembra de Cody? grande disco.

I Used to Go to This Bar é nostálgico. todo mundo em Joyce Manor está chegando perto dos quarenta anos e eles iam naquele bar. nada é novo, tudo já aconteceu. já vivemos tudo que tínhamos para viver. todo mundo está envelhecendo o tempo todo. eu não aguento mais ir no Meteoro. é assim que as pessoas se sentiam com o Anti-Monopólio? como era a cena criciumense na época em que Goldfinger e Streetlight Manifesto fizeram shows na cidade? eu não podia sair de casa na época. eu estava ocupada demais escutando bootlegs de Beach Boys e assistindo Game Grumps. era legal? alguém se divertia? me conta mais sobre isso.

destaques: i know where mark chen lives, all my friends are so depressed, after all you put me through
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