final smash do Snake
memórias de Super Smash Bros. Brawl
olhando pra trás e analisando friamente a minha infância e adolescência, é fácil perceber que o jogo mais importante da minha vida foi Super Smash Bros. Brawl. claro, se você é um autoproclamado gamer hardcore, há uma infinidade de aspectos no jogo que não são do seu feitio: o gameplay é lento demais, a cena competitiva é quase inexistente e pouquíssimos personagens utilizam armas de fogo para derrotar os inimigos — o Snake até pode tacar uma granada no Luigi, mas sinceramente, o mundo seria melhor se todos os lutadores pudessem tacar uma granada no Luigi. não que eu tenha qualquer coisa contra esse homem. não é qualquer um que tem a coragem necessária para encarar três mansões mal-assombradas ao longo dos anos. olhe nos meus olhos e diga, com toda a sinceridade que há dentro do seu ser, que você aguentaria passar pelo que Luigi passou. eu sei que eu não aguentaria
e sinceramente, o apelo de Super Smash Bros. Brawl nem tem tanto assim a ver com o jogo em si. é sobre tudo que o cercava. a primeira comunidade online que eu verdadeiramente fiz parte, criando amizades e fortalecendo vínculos, foi uma comunidade sobre o jogo no Orkut — era 2008, eu tinha um fake chamado Karate Mario e passava meus dias conversando com gente que nem sequer existe mais sobre as possibilidades de Sonic ser um personagem jogável. olhando agora, era óbvio que aconteceria. eles literalmente estavam fazendo um jogo das Olimpíadas com o Mario e o Sonic nesse mesmo período. por isso eu preferia as discussões sobre Geno, Krystal ou Ridley. elas eram muito mais interessantes e sanguinárias. era um negócio seríssimo. pouco se fala disso hoje em dia, mas pessoas morreram naquele fórum de especulação de newcomers no Smash Boards. talvez não literalmente
não sei, é algo sobre esse jogo. pensar em Super Smash Bros. Brawl é pensar em um organismo vivo, um ser ambulante, um amalgamado de coisas que eu amava sem nem saber ainda que amava. se videogame é sobre memória, se a nostalgia faz parte de tudo que nos cerca, Brawl é um dos jogos mais poderosos do mundo — e praticamente toda pessoa que viveu essa época vai te dizer a mesma coisa. uma época de Smash Bros. Dojo.
quase vinte anos depois, eu não sei se a Nintendo utilizou a internet de um jeito tão efetivo para promover seus jogos quanto com esse aqui. o Smash Bros. Dojo não era apenas um blog com atualizações diárias sobre o seu novo game favorito: ele era a cultura. todo dia, em algum horário entre as 5h e 7h da manhã, Masahiro Sakurai postava uma novidade sobre Super Smash Bros. Brawl — e era sempre uma novidade. era algo mais esperado que um novo post do Jacaré Banguela, e a grande graça é que você nunca sabia qual seria a postagem do dia. talvez hoje eles anunciem suporte para televisores widescreen, talvez eles anunciem que o King Dedede é um personagem jogável. eu tenho onze anos de idade, eu nunca assisti o anime do Kirby na Jetix e eu não sei quem é King Dedede. mas as pessoas ao meu redor parecem empolgadas, então eu irei tratá-lo como se fosse um amigo de longa data. claro, pode entrar. tem bolo de cenoura
eu nem sequer tinha um Nintendo Wii nesse ponto — minhas aventuras pelo universo da Nintendo se restringiam a um emulador de Nintendo 64 baixado em um link misterioso do Rapidshare. não clique em links misteriosos do Rapidshare. mas acompanhar todas essas novidades, um anúncio diário de que New Pork City seria uma fase, um item novo chamado dragoon de um jogo do Kirby que eu nunca vi na vida, um modo aventura completamente repaginado onde o Mario é sequestrado por vilões maléficos — era como se eu fizesse parte de algo maior. eu poderia facilmente ter sido recrutada para uma seita nessa época, mas acredito que a cientologia não tinha tanto interesse em um garoto nerd que gostava muito de Good Charlotte. eles não imaginavam o que o futuro o reservava
memórias de uma viagem para o Uruguai, no início de 2008, e um hotel onde não havia um computador. celulares com internet? talvez isso existisse no Japão, mas eu estava em Santana do Livramento. passando por diversas free shops com a minha mãe, que buscava comprar perfumes menos caros do que se pagava no Brasil, eu vi um atendente usando um belíssimo computador — tela de tubo, teclado bege, mouse de bolinha. não havia dúvidas de que era um computador. era manhã, perto do horário do almoço, e eu ainda não havia visto a atualização do Smash Bros. Dojo. eu não conseguia pensar em outra coisa; o primeiro ato de todos os meus dias sempre era abrir o site e ver os ataques especiais do Diddy Kong, ou sabe-se lá o que mais eles decidiram mostrar naquele dia. eu pedi para usar o computador por um minuto, digitei o endereço no navegador — sim, era Internet Explorer — e cliquei no blog. em 10 de janeiro de 2008, foi anunciado o final smash do Snake. não era necessariamente impactante, mas eu também não fiquei triste de descobrir isso
sei lá, era uma vibe diferente. ter onze anos de idade certamente contribuiu para esse enorme fascínio com algo que talvez nem seja tão interessante assim, mas eu não culpo só a ingenuidade infantil. é como se eu tivesse criado uma relação parassocial com esse videogame: não era com um ser humano, nem com um criador de conteúdo, mas sim com o conceito de um Super Smash Bros. Brawl. ele era meu amigo e estava lá todos os dias. ele conversaria comigo, eu responderia mas não haveria uma tréplica. talvez por isso, hoje em dia, eu ache que qualquer pessoa que me dá um pingo de atenção seja minha amiga. curtir uma unidade de story no Instagram é o mesmo que assinar um pacto de sangue. todo mundo me ama, e todo mundo me odeia
eventualmente, Super Smash Bros. Brawl foi lançado. ele foi o único jogo de Nintendo Wii a ser produzido em um DVD de dupla camada, e cada DVD virgem de dupla camada custava 10 reais na única loja de Criciúma que os tinha. eu não acho que eu cheguei a gastar o preço de um jogo original tentando piratear esse game de luta, mas talvez eu tenha chego perto da metade. olha, era um processo complicado demais. o IMGBurn não foi feito pra esse tipo de coisa
eu era completamente obcecada com o minigame de atirar moedas. era um shoot ‘em up com um propósito — destrua essas naves e ganhe um troféu de algum personagem de Pikmin que você nunca ouviu falar. era a melhor coisa do mundo. eu amo quando nunca ouvi falar de algo
oiê! essa semana tivemos uma nova edição exclusiva para assinantes da eu destruirei vocês. um diário da área de trabalho — basicamente isabela thomé falando sobre alguns arquivos que estavam em sua área de trabalho. tem muita coisa aleatória jogada lá, e tá tudo bem.
leia imediatamente! (após assinar a eu destruirei vocês por apenas dez reais)








por causa dessa franquia o king dedede me atormenta até hoje
o interior da região sul pode nao ser uma única coisa mas às vezes parece